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O cinturão de oiro

Certo dia, dois homens que se encontraram no caminho, iam juntos para Salamis, a cidade das colunas.

A meio da tarde chegaram a um rio muito largo, sem haver ponte para o atravessar.

Tinham que ir a nado, ou então buscar outro caminho, que nenhum deles conhecia.
— Nademos — disseram. Além disso, o rio não é assim tão largo.

Atiraram-se à água e começaram a nadar.

Um dos homens, que sempre soubera de rios e das suas modalidades, no meio da corrente, começou a perder o pé e a ser arrastado pelas águas caudalosas, ao passo que o outro, que nunca antes tinha nadado, atravessou directamente o rio e arribou à outra margem.

Em seguida, vendo que o companheiro se debatia ainda com a corrente, atirou-se outra vez à água e levou-o até à margem, são e salvo.

O que tinha sido arrastado pela corrente disse:
— Não tinhas dito que não sabias nadar? Como conseguiste, então, atravessar o rio com tanta segurança?

O segundo homem respondeu:
— Meu caro amigo, vês este meu cinto? Está cheio de moedas de oiro que ganhei para a minha mulher e para os meus filhos durante um ano de trabalho. Foi o peso deste cinturão de oiro que me levou através do rio, para a minha esposa e para os meus filhos. Minha esposa e meus filhos estavam em cima dos meus ombros enquanto eu nadava.

E os dois homens caminharam juntos até Salamis.

Khalil Gibran in “O Profeta”