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O cetro

Certo rei disse à sua esposa:
— Senhora, não sois uma verdadeira rainha. Sois demasiado vulgar e desagradável para minha companheira.

Respondeu a mulher:
— Senhor, embora vos considereis rei, em verdade, não passais de uma miserável paródia.

Tais palavras irritaram o rei, que agarrou no cetro de oiro e bateu com ele na cabeça da rainha.

Nesse instante, entrou o camareiro e disse:
— Muito bem, majestade. Esse cetro é obra do maior artista da comarca. E um dia, infelizmente, vós e a rainha sereis esquecidos, mas o cetro passará, como coisa bela, de geração em geração. Agora, senhor, que com ele fizestes sangue na cabeça de sua majestade, mais apreciado será e mais recordado ainda.

Khalil Gibran in “O Profeta”