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Na feira

Vindo do campo, chegou à feira uma rapariga muito bonita. No seu rosto havia um lírio e uma rosa. Levava o crepúsculo no cabelo e a aurora sorria-lhe nos lábios.

Mal a encantadora desconhecida apareceu diante dos seus olhos, os rapazes procuraram-na e fizeram roda. Um queria dançar com ela, outro cortar um bolo em sua honra. E todos desejavam beijar-lhe a face. Porque, afinal, não estavam na feira?

Mas a rapariga intimidada assustou-se e pensou mal de todos os rapazes. Ralhou-lhes e chegou até a bater na cara a um ou dois. Depois desatou a correr, fugindo deles.

E enquanto voltava a casa, nessa noite, dizia no seu coração:
— Estou aborrecida. Que grosseiros e mal educados são esses homens. Não há paciência que os suporte.

Passou um ano durante o qual aquela formosa rapariga pensou muito na feira e nos homens. Depois tornou a ir á feira, tendo no rosto o lítio e a rosa, o crepúsculo no cabelo e nos lábios o sorriso da aurora.

Mas agora os rapazes, quando a viram de novo, voltaram-lhe as costas. Passou o dia todo sozinha, sem que ninguém a procurasse.

Ao cair da tarde, enquanto caminhava pela estrada em direção a casa, ia gemendo em seu coração:
— Estou aborrecida. Que grosseiros e mal educados são esses rapazes! Não há paciência que os suporte.

Khalil Gibran in “O Profeta”