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A maldição

Uma vez disse-me certo velho homem do mar:
— Há trinta anos que um marinheiro fugiu com a minha filha. Amaldiçoei-os a ambos, no meu coração, pois a minha filha era a coisa que mais amava no mundo. Passado pouco tempo, o jovem marinheiro afundou-se no mar com o seu barco e com ele perdi também a minha querida filha. Podes contemplar em mim, portanto, o assassino de um rapaz e de uma rapariga. Foi a minha maldição que os destruiu. Agora, a caminho da sepultura, busco o perdão de Deus.

Assim falou o ancião.

Mas havia um toque de jactância nas suas palavras e parecia ainda orgulhoso do poder da sua maldição.

Khalil Gibran in “O Profeta”